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Por que eleições são ruins para a democracia


Nos últimos cinco anos, o departamento oficial de investigação da União Europeia concluiu que menos de 30% dos europeus tinha fé em seus parlamentos nacionais e quase três quartos das pessoas desconfiam da maioria das instituições políticas de seus países.
Há algo explosivo sobre uma época em que o interesse pela política cresce enquanto a fé diminui em seus representantes: este sistema de delegação de representantes foi necessário no passado - quando a comunicação era lenta e informações eram limitadas - mas hoje, está totalmente fora de sintonia com a realidade.
Mesmo no século 18, Jean-Jacques Rousseau já citava: "O povo da Inglaterra se engana quando imaginam que estão livres; eles só o são, de fato, durante a eleição dos membros do Parlamento, porque, assim que sejam eleitos, o povo é posto novamente em cadeias, e voltam a ser nada".
Referendos e eleições são os dois instrumentos antigos de deliberação pública. Se nos recusarmos a atualizar nossa tecnologia democrática, ocorrerá uma quebradeira geral no sistema político. A democracia não é o problema. A votação é o problema. Onde está a voz do povo em tudo isso? Onde é que os cidadãos têm a oportunidade de obter a melhor informação possível, envolver-se uns com os outros e decidir coletivamente sobre o seu futuro? Onde os cidadãos tem a chance de moldar o destino de suas comunidades? Não na cabine de votação, com certeza.
Fundamentalismo eleitoral é uma crença inabalável na ideia de que a democracia é inconcebível sem eleições e as eleições são uma pré-condição necessária e fundamental quando se fala de democracia. Fundamentalistas eleitorais vêem as eleições como um fim em si, como uma doutrina com um valor intrínseco e inalienável: venera-se as eleições, e despreza-se os eleitos.
A democracia não é, por definição "a escolha do melhor governo' - eleito ou não. Ela apenas permite que uma diversidade de vozes sejam ouvidas. É toda sobre ter uma palavra igual, direitos iguais para determinar qual ação política é tomada.
A fim de manter a democracia viva, teremos de aprender que a democracia não pode ser reduzida a votar. Eleições e referendos tornaram-se ferramentas perigosamente ultrapassadas, e devemos buscar formas mais sensatas de participação dos cidadãos.


Trechos traduzidos de http://www.theguardian.com/politics/2016/jun/29/why-elections-are-bad-for-democracy