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[2/8] Compreendendo a Opressão

Este artigo é parte da série "Sexualidade, Opressão e Violência", dividida em 8 partes. Para ter acesso aos outros conteúdos, visite a publicação índice clicando aqui. O Projeto Vision é uma iniciativa conjunta de Lacking Faces e Anonymous FUEL

Repressão, Opressão e Privilégio


Repressão: É uma atitude pontual em resposta à fala ou ação de outra pessoa. Quando você adverte alguém sobre um comportamento, pedindo que a pessoa pare ou a impedindo de continuar, isso configura uma repressão. Ela tanto pode acontecer no sentido de praticar uma discriminação como de combater uma discriminação. A repressão ocorre de indivíduo para  indivíduo (ou de instituição para indivíduo, entidade para indivíduo, etc). Ela sempre tem um claro "emissor" e um "destinatário".

Opressão: Opressão é uma relação estrutural, ou seja, está relacionada à forma como uma sociedade está organizada. Ela vai atingir um grupo que possua determinadas características, fazendo com que este grupo não seja completamente compatível com o sistema. As opressões podem acontecer sobre um gênero, sobre uma raça, sobre uma etnia, sobre membros de uma  religião, sobre uma "camada" econômica, etc. Exemplo: um deficiente físico tem dificuldade para conseguir emprego, para se locomover na cidade, para seguir carreira, para participar das atividades escolares e assim por diante. As pessoas pertencentes a grupos oprimidos  frequentemente serão privadas de direitos, vítimas de violência específica e crimes de ódio, excluídas do mercado de trabalho e da vida acadêmica, excluídas do exercício político, terão pouco acesso às mídias e passarão por diversas limitações que tornarão sua vida mais difícil. Dentro de uma sociedade verticalizada como a nossa, os grupos oprimidos  encontram muito mais dificuldades para "subir na vida" e realizar  conquistas entendidas pela sociedade como uma vida de sucesso. Outros exemplos:
  • Machismo: Numa sociedade machista, mulheres ganham menos que homens que realizam o  mesmo trabalho, são preteridas no mercado de trabalho pela possibilidade da maternidade, são exploradas como objeto de marketing, sofrem violência específica por serem mulheres, são as principais vítimas de estupros, não possuem representatividade na política, nem no mercado, etc. 
  • Racismo: Pessoas negras também são negadas em diversas profissões, têm sua beleza entendida como inferior, são mais frequentemente vítimas de exploração sexual, são as principais vítimas do genocídio praticado pelo estado, são mantidas em situação de pobreza, não se permite que ocupem espaço nas universidades com a mesma facilidade, não possuem representatividade política, etc.
  • LGBTfobia: Pessoas LGBT também são negadas em diversas esferas do mercado de trabalho, principalmente as transgênero. Além disso, possuem dezenas de direitos constitucionais negados ou dificultados pelas instituições do estado, entre  eles processos de união, direito à herança e adoção. O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT no mundo. Essas populações são vítimas de crimes de ódio e violência sexual, além de possuir taxas altas de suicídio.
  • Elitismo: Em sociedades verticalizadas como a nossa, as camadas mais ricas têm mais acesso a todo tipo de serviço básico (saúde, educação, segurança, lazer) e com melhor qualidade. Têm acesso a melhores escolas, são indicados para empregos melhores, possuem respaldo midiático, vantagens políticas e jurídicas. No caso das camadas mais privilegiadas, pessoas nascem com grandes heranças e nunca precisam trabalhar, vivendo apenas da manutenção de recursos que nunca precisaram conquistar.
  • Capacitismo: É relacionado a indivíduos com qualquer tipo de deficiência física ou mental. Hoje ainda não temos escolas preparadas para lidar com essas pessoas, nossos meios de transporte não são plenamente adaptados e principalmente nossos sistemas de comunicação e linguagem, o que resulta em menor acesso à educação, arte, cultura e lazer.

Privilégio: Assim como algumas pessoas encontram maior dificuldade em realizar conquistas ou exercer sua cidadania por pertencerem a grupos oprimidos, outras pessoas se beneficiam do privilégio de pertencer ao grupo opressor. Isso não significa que essas pessoas são más, ou que exploram e violentam outras por prazer e convicção. Significa que da mesma maneira que algumas pessoas têm "azar" de pertencer a um grupo que a sociedade discrimina, outras têm "sorte" de pertencer a um grupo que a sociedade protege. O uso das aspas aqui é para sinalizar que não são componentes aleatórios de uma sociedade, mas frequentemente hereditários e inatos que o indivíduo não escolheu. O privilégio é basicamente não precisar passar pelas mesmas dificuldades e barreiras para realizar uma tarefa simples. Por exemplo: um homem tem mais chances de ser ouvido pela mídia que uma mulher, uma pessoa heterossexual tem mais chances de conseguir empregos que uma pessoa homossexual, uma pessoa branca tem mais chances de conquistar a confiança de um estranho que uma pessoa negra, e assim por diante. Chamamos de "manutenção de privilégio" qualquer esforço consciente ou inconsciente para manter determinados grupos em posição de poder em relação a outros.

Compensação Social e Políticas Afirmativas


Chama-se de "política afirmativa" qualquer medida voltada a grupos vítimas de opressão, no sentido de compensar suas desvantagens sociais. Em geral, as políticas afirmativas não são soluções, mas medidas paliativas temporárias para problemas de urgência. Elas visam tentar diminuir a diferença de oportunidades entre diferentes grupos da sociedade. Alguns exemplos de políticas afirmativas são programas de inclusão, cotas, legislação específica para o combate a alguns tipos de violência e discriminação, isenção de taxas/impostos, entre outros. Políticas  afirmativas não são discriminação, mas justamente uma tentativa prática de contrapor a discriminação sofrida por alguns grupos.

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