Conheça nosso Grupo De Estudos!



Anonymous – Uma ideia perigosa

Vivemos tempos realmente difíceis. Se, por um lado, o avanço tecnológico causou uma verdadeira revolução tecnocientífica em quase todas as sociedades da nossa espécie, tornando possível a comunicação rápida e instantânea entre indivíduos de culturas e pensamentos diferentes, pelo outro lado é possível ver como o custo dessa nova era foi (e continua sendo) alto e irreparável, levando morte e destruição à milhares de famílias pobres, exploração e manutenção de desigualdades gritantes e o desequilíbrio de praticamente todos os ecossistemas naturais de nosso planeta. Não é demagogia afirmar que as sociedades contemporâneas possuem recursos tecnológicos suficientes para acabar com a fome, com a sede, a falta de moradia e possibilitar acesso universal aos conhecimentos e às várias formas do saber humano. E então você se pergunta: “e por que não acabamos com tudo isso?”. Essa é uma pergunta que lhe causa angústia? Você já perdeu noites de sono, já viu seu dia ficar mais triste e perceber uma realidade completamente desesperançosa diante desse simples questionamento?

Se a resposta é sim, então prossiga. Riqueza e pobreza são valores reais necessários para manter o sistema econômico que prevalece em quase todas as nações deste mundo atualmente. Sistema esse que tem nome e face, quer queiram ou não. Vivemos uma realidade capitalista, respiramos capitalismos e assistimos seus mecanismos cada vez mais sofisticados para tentar manter-se como sistema dominante. Sabe por que, apesar de toda tecnologia que dispomos, a pobreza e a miséria humana ainda é mantida em níveis cada vez mais alarmantes? Porque isso é necessário à existência do capitalismo! Riqueza só existe porque alguém ficou miserável. Vencedores continuaram existindo enquanto houver perdedores. Controladores continuaram existindo enquanto houver controlados. Privilégios continuaram existindo enquanto houver desfavorecidos. Vivemos um sistema baseado na falsa premissa de que o ser humano é naturalmente competitivo e que, por isso, é justo haver derrotados (nem que isso se configure naquela criança que nada o tem o que comer, cuja infância é roubada todos os dias cada vez que sua face é vista em algum semáforo por aí).

Temos tecnologia e conhecimento suficiente para nos tornarmos humanos, mas preferimos viver como bestas selvagens, bestas antropofágicas, devoradoras de si mesmas e destruidoras do próprio ambiente em que vive. Nos tornamos vírus de nossa própria espécie, condenamos nossos próprios irmãos e irmãs à inexistência e à insignificância. Nos apressamos em nos encher de ódio e toda sorte de fascismos que compõe nossa limitada mentalidade, tudo para esconder nossas próprias frustrações por não sermos aquilo que o sistema capitalista deseja que sejamos. Preferimos dizer “morte aos comunistas”, “morte aos anarquistas”, pois matar é relativamente fácil. Matar faz parte do jogo, é uma das armas da competição. E a competição, cada vez mais, parece longe do fim. Parece, pois a força do capitalismo reside exatamente na capacidade das grandes corporações nos iludirem cada vez que cada um de nós se aproxima da verdade. E a verdade, senhoras e senhores, é que nossa existência neste mundo tem fim, e nosso fim nunca esteve tão próximo. O capitalismo lhe faz acreditar que tudo é durável, que a produção visando o lucro é infinito. E não é! A natureza nos envia sinais cada vez menos sutis de como nossa interferência está afetando toda a vida que nos cerca! Nós, humanos, estamos nos tornando os Deuses cruéis que noutrora enviavam mensageiros para anunciar o fim do mundo. Tocamos trombetas todas os dias, sons de um apocalipse materializado em cada vida arrancada por guerras sem fim, com o único objetivo de acumular poder! Guerra santa, guerra às drogas, guerra ao terror, guerra pela paz… Guerra é paz, o grande irmão parece realmente ser o vencedor!

Ou não. Ou talvez você, assim como nós, compreenda tudo isso, saiba os riscos de quem luta contra o sistema dominante e, ainda assim, deseja lutar. Talvez aquilo que remexe seu peito cada vez que você se vê diante de uma injustiça seja seu espírito querendo lutar. Ninguém nunca disse que a liberdade e a justiça social cairiam do céu ou nos seriam dadas por misericórdia. Então, se você percebe os meandros do capitalismo como sustentáculos de nossa própria extinção; se vocês entendem que o Estado nada mais é que um aparato legal de controle da violência, onde a lei se faz presente para evitar todo e qualquer levante realmente revolucionário; se você sente, anseia, deseja uma mudança em tudo aquilo que nos cerca, desde nossas relações políticas até nossa própria humanidade, cada vez mais distante de nós mesmos; talvez você seja mais um no meio de multidões. Talvez você seja Anonymous.


Não seguimos padrões. Não nos prendemos a rótulos.

Nossa liberdade amplifica a liberdade do outro.

Não somos liberais, tampouco estadistas.

Queremos o impossível. Realizamos o necessário.

Somos uma ideia perigosa. Ideias perigosas mudam o mundo.

Não esquecemos, jamais!

Não perdoamos aqueles que nos esmagam diariamente.

Não vamos parar!

Nos aguardem.