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A Morte



Eu quero deixar uma coisa bem clara antes de mais nada: este post não vai te trazer uma iluminação sobre algo nem te ensinar coisas valiosas. Na verdade, não tenho capacidade intelectual de trazer tais benefícios aos leitores. Mas eu quero compartilhar um pensamento que é muito frequente em minha vida e provavelmente muito frequente na vida de quem sofre de depressão, ansiedade, pânico ou outros transtornos similares: a morte e a vida.

Tem um filme com Hugh Jackman que é sensacional e, de certa forma, me ajudou a refletir bastante sobre isso. Não é Logan, nem Wolverine. O nome em inglês é The Fountain. Em português, o filme ganhou o nome de "A Fonte da Vida". Basicamente trata-se da jornada de um homem, por várias gerações, para salvar a vida de sua amada.

O filme é completamente não-linear. Você só percebe que é passado, presente e futuro por causa das vestes. Sim, tem bastante sobre budismo no filme.

Para cada sombra, não importa quão profunda, é ameaçada pela luz da manhã.

A depressão é o "mal do século". Eu sou adepto ao transhumanismo ao mesmo tempo que tal filosofia entra diretamente em conflito com a filosofia de vida do budismo. As vezes me pego pensando (e tal pensamento tem sido cada vez mais frequente):

No final, vai adiantar de algo? Tudo e todos que conhecemos irão morrer um dia. Nossos pais, nossos irmãos, amigos, bichos de estimação. Nós iremos morrer um dia. Qual o propósito de viver dia após dia, se vai ter um dia que a gente vai parar de viver (não por escolha)?

Eu falei deste filme por um motivo: na busca para curar a sua amada de uma doença terminal, Hugh Jackman desenvolve um soro que cura o tumor. E ele diz uma coisa que é a fundação do transhumanismo:

A morte é uma doença, é como qualquer outra. E há uma cura. Uma cura - e vou encontrá-la.

Encarar a morte como uma doença é, de certa forma, um conforto para nós (particularmente para mim). Se encararmos a morte como uma doença como qualquer outra e estamos cada vez mais avançados na medicina, poderemos um dia curar a morte... É um alívio. Poderemos viver eternamente. Só que viver eternamente significa superpopulação, significa a morte de quem não tem dinheiro para "comprar a cura da morte". Provavelmente voltaríamos a expectativa de vida antiga, que se vivia 30 a 35 anos. Teremos os ricos imortais e os pobres que morrem cedo.

A lição que eu tirei deste filme foi a seguinte: alguns enxergam vida na morte e outros só enxergam morte na vida. No momento, faço parte deste segundo grupo. E talvez essa seja a principal causa de todo meu sofrimento. Não falo que a depressão se resume nisso, mas que contribui bastante.

Uma reflexão que proponho é a seguinte (e eu farei isso também): ao ficar se perguntando sobre a morte, se pergunte também sobre a vida. Pois onde há morte, há vida. No final, todos iremos morrer mesmo, de uma forma ou de outra. Com 20 anos de idade ou com 2.000. Mesmo que nos tornemos imortais, iremos morrer lentamente a cada ano que passa, com cada amigo ou familiar que morre antes de nós. Iremos morrer lentamente pois iremos esquecer do nosso passado.

Somos todos histórias no final. Então vamos fazer com que ela seja boa
Doctor Who