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Dá para acabar com a morte?



Como citei no artigo anterior, resolvi dividir este texto em algumas partes. Nesse aqui pretendo responder alguns questionamentos que fiz no anterior.


Imortalidade não é viver para sempre, não é como parece. Imortalidade é todos os outros morrerem.

Obviamente acompanhado das frases de Doctor Who (e de alguns outros, mas citarei a fonte quando fizer). Uma das primeiras perguntas que fiz foi: "será que viver infinitamente valeria a pena?". A resposta para essa pergunta não é simples, depende de cada pessoa. Alguns cientistas dizem que o nosso cérebro não conseguiria suportar muito tempo e passaria a "deletar" pedaços da nossa história. Inclusive, isso é até retratado na série Doctor Who. Uma humana ganha o "poder" da imortalidade, mas como o cérebro dela é humano, ela basicamente escreve sua história em livros, para permitir que ela se lembre, através dos livros, sobre tudo que ela passou. Sobre o sofrimento, sobre as alegrias. Para evitar que ela cometa os mesmos erros novamente.

Por isso que a resposta não é simples. Vivendo eternamente você passaria por toda a história. Vivenciaria todas as guerras, todas as derrotas, toda a dor e sofrimento que só a Terra pode lhe oferecer. Mas você também vivenciaria toda a paz, toda a vitória, toda a alegria e a esperança que a Terra também pode lhe dar. Se você fosse o único imortal, você viveria sozinho. Se você fosse mortal, você queria ser imortal. Se você fosse o único imortal, você queria ser mortal. Talvez para sermos, de fato, imortais, precisaríamos primeiro refletir sobre uma coisa fundamental: o que realmente queremos? O ser humano não sabe o que quer. Quando ele está na rua, ele quer estar em casa. Quando ele está em casa, ele quer estar na rua. Quando ele está namorando, ele quer ser solteiro, quando está solteiro, quer namorar. Se em coisas simples da vida, o ser humano não sabe o que quer, imagina quando ele tiver a oportunidade de escolher entre continuar morto ou reviver. Ou pior: quando derem a oportunidade dele ser "imortal".

Eu não sou a pessoa mais capacitada para responder a esse questionamento. Não sou filósofo, não tenho muita base filosófica e acima de tudo: eu sou humano. E como humano eu cometo os mesmos erros que citei acima. Assim como você, caro leitor.

"Por que devemos ser condenados à sofrer com o declínio das células do corpo, com o enfraquecimento dos órgãos, com a cegueira, a falta de disposição, as doenças oportunistas?" Para essa pergunta, meu questionamento tende mais ao transhumanismo do que para qualquer outra coisa. Eu sinceramente não sei por que deveríamos ser condenado a tal sofrimento. Um dos pilares do transhumanismo é a crença de que a velhice é uma doença. E o principal objetivo do transhumanismo é curar tal doença.Se a imortalidade for algo que não seja fácil de ser alcançado, que pelo menos possamos sofrer menos.

O corpo tem a capacidade de se regenerar em muitos aspectos, e como já enganamos a morte e a velhice com os inúmeros avançados da tecnologia e da medicina, por que não poderíamos incentivar a regeneração do corpo através do uso da tecnologia? Não falo apenas de medicamentos, falo da mina de ouro do transhumanismo: a nanotecnologia. Milhares ou milhões de robôzinhos navegando em sua corrente sanguínea. E acredite: eles não são ficção. Muitos já estão em testes para levar medicamentos direto para os órgãos ou para monitorar a saúde de pacientes, diretamente do órgão.

"E a morte, será que ela é de fato necessária? Ou vital para balancear a Terra?" Somos mais de 7 bilhões de seres humanos na Terra. Só que o problema não é sermos muitos, o problema é a total falta de planejamento. Nós começamos a crescer de forma acelerada, sem nos planejar. É por isso que existem diversas organizações e cientistas procurando uma forma de morarmos melhor e de forma sustentável, sem acabar com o nosso planeta. Diversos avançados da tecnologia prometem melhorar diversos campos humanos como a produção de alimentos e a cura de diversas doenças. Morreremos cada vez mais velhos. Nesse ponto de vista, poderemos pensar que daqui a alguns anos só há duas opções:


  1. Com base no avanço científico (e por que não, sociológico) descobriremos uma forma menos agressiva de viver, uma nova forma de economia e sociedade existe. Podemos viver num mundo com 14 bilhões de habitantes, sem que o planeja e a própria sociedade sofra com isso.
  2. Iremos continuar a crescer sem pensar nas consequências da nossa sociedade. Alcançaremos 14 bilhões de habitantes, dos quais 2/3 vivem em condição de miséria com expectativa de vida de uns 40 anos. Enquanto 1/3 vive em condições excelentes com expectativa de vida de 200 anos.

Se continuarmos como estamos hoje, a segunda opção parece ser mais válida. Mas eu acredito que algo de bom acontecerá no futuro e que possamos alcançar o equilíbrio, mesmo com pessoas morrendo cada vez mais tarde (ou nem morrendo).

"E se a população da Terra já tivesse colonizando outros mundos?". Isso é que o X da questão de tudo isso. Elon Musk quer colonizar Marte. Apesar de todos os custos envolvidos no processo, o que ele propõe é algo viável no futuro e é algo extremamente necessário. Imagine os 14 bilhões que falei anteriormente, agora imagine 14 bilhões de humanos no Sistema Solar. Dos quais uns 5 bilhões vivem na Terra e o restante em Marte. Numa sociedade bem mais estruturada que a atual.

A questão do transhumanismo não é pensar em 2020. É pensar em 2200. Pensamos no amanhã, mas também pensamos no depois de amanhã. 

"All the elements in your body were forged many, many millions of years ago in the heart of a far away star that exploded and died. That explosion scattered those elements across the desolations of deep space. After so, so many millions of years these elements came together to form new stars and new planets. And on and on it went. The elements came together and burst apart forming shoes and ships and sealing wax and cabbages and kings. Until, eventually, they came together to make you. You are unique in the universe. There is only one Merry Galel and there will never be another. Getting rid of that existence isn't a sacrifice, it is a waste!"

Lembrem-se: nunca haverá outro você. Esse é meu pensamento e nisso que eu acredito. É por isso que eu sigo e acredito no transhumanismo. Mas não sou idiota o suficiente para acreditar que ele seja uma verdade universal. Assim como não sou idiota o suficiente para acreditar que exista uma religião universal, uma teoria universal ou qualquer coisa "universal".

O transhumanismo é algo complexo de ser explicado em tão poucas linhas. Há muito mais do que apenas a velhice ou a morte. Tem a questão da singularidade, das inteligências artificiais, há tanta coisa que se eu escrevesse tudo isso em um só post, eu basicamente transformaria esse blog em um blog sobre transhumanismo.

Se, no entanto, você souber inglês e quiser me ajudar a traduzir um documento que explica tudo sobre o transhumanismo aqui está o link do documento no GitHub. Por sinal, pegarei alguns trechos do documento e irei trazer aqui para o blog para ajudar a melhor explicar o transhumanismo :)