Conheça nosso Grupo De Estudos!



Vamos acabar com a morte?



2015 e 2016 foram anos complicados para a minha família. Em 2015, minha avó foi diagnosticada com câncer no útero. No mesmo ano, ela fez uma cirurgia removendo os tumores, assim como removendo todos os órgãos que poderiam ser removidos sem causar maiores problemas. Segundo o médico que operou, ela estava "livre" do câncer, mas sempre fazia exames para evitar que o câncer voltasse. O que, infelizmente ocorreu. Em 2016, ela descobriu que não só estava com outro tumor, como o tumor era bem maior do que o anterior e que, segundo o médico, era impossível realizar a cirurgia de remoção. Basicamente, todos os médicos foram unânimes ao dizer que: ela estava em estado terminal.

Acompanhei de perto muito dos sintomas dela. Um dos sintomas que até hoje permanece na minha cabeça, foram diversas partes do corpo dela ficarem pretas. Como se o sangue tivesse parado de circular ali. Eu não lembro o nome, mas tem algo a ver com o plasma sanguíneo. Eu sei que fiz de tudo para esquecer e, confesso, não esqueci até agora. Acompanhamos de perto o enfraquecimento dela. Teve um dia, que acordamos no meio da noite, com a notícia de ela tinha sido levada às pressas para a emergência pois começou a delirar. Ela praticamente não respirava mais sem o auxílio de equipamentos. No dia 1º de agosto de 2016, a minha avó faleceu em decorrência do câncer.

Não vou mentir, nossa família buscou tudo que era possível para trata-la. Nossa última esperança (cientificamente falando) era a tal fosfoetanolamina que, por sinal, tinha sido usada em outros pacientes mas, no caso dela, fora negado. Meu pai até hoje tem ódio da ANVISA. E tivemos uma leve esperança quando Dilma sancionou a lei que liberava o uso do medicamento.

Sempre me pergunto como seria o mundo se nós não morrêssemos. Se fossemos todos imortais. Provavelmente haveria uma superpopulação ou então, o tratamento para "curar a morte" seria voltado apenas para os mais ricos. Já vi dezenas de filmes que tratam sobre uma vida "sem limites" e o questionamento sobre: "será que viver infinitamente valeria a pena?". Uma série que amo e que me ajudou a superar, de certa forma, a morte da minha avó é Doctor Who.

Da forma que vejo, toda vida é uma pilha de coisas boas e ruins. As boas nem sempre amenizam as coisas ruins, assim como as ruins nem sempre estragam as boas ou as tornam menos importantes. Nós definitivamente acrescentamos algo de bom na vida dele.

Para mim, que sou adepto ao transhumanismo (até já abordamos sobre ele aqui no blog), a velhice é uma doença e, como toda doença, tem cura. Veja que eu não falei da morte em si, falei da velhice. Muitos tratam a velhice como algo normal, mas se uma lagosta consegue morrer anos depois com o mesmo vigor que ela tinha quando era jovem, por que nós, humanos não podemos? Por que devemos ser condenados à sofrer com o declínio das células do corpo, com o enfraquecimento dos órgãos, com a cegueira, a falta de disposição, as doenças oportunistas?

E a morte, será que ela é de fato necessária? Ou vital para balancear a Terra? Veja só, em milhares de anos de existência humana, nós nos reproduzimos, nascemos e morremos. E a Terra, ela continua sendo explorada, acabada e basicamente destruída pelos humanos. Esses que morrem após uns 80 anos. Será mesmo que a tal "vida infinita" seria de tão ruim assim? E, se não fossemos apenas cidadãos da Terra e sim de Marte? Ou de algum exoplaneta? E se a população da Terra já tivesse colonizando outros mundos? Será que a expansão da civilização humana não dependeria de um fator importante: estarmos vivos? Por que veja bem, até o famoso processo de criogenia envolve a "pausa" do envelhecimento e consequentemente da morte. É como se falássemos para o corpo: "perai, não quero morrer agora na Terra, quero morrer daqui a 500 anos em Gliese 832 c (o exoplaneta habitável mais perto da Terra).".

E não seria nossos avançados na medicina ou na robótica, formas de enganar a morte e a velhice? Os bilhões de dólares gastos na indústria cosmética uma forma de dizer "eu pareço ter 40 anos, mas tenho 60"? Nós estamos à todo momento enganando a morte, estendendo nosso "prazo de vida". Mas se um cientista vier com a ideia de que "poderemos ser imortais", a sociedade se revolta.

Do ponto de vista filosófico, há motivos para se revoltar. Do ponto de vista religioso também, afinal, estaríamos basicamente acabando com toda a ideia de que "céu" ou de "ir ao céu" e, provavelmente, estaríamos também acabando com o ganha-pão de muitas igrejas por aí. Apesar que, há grupos cristãos e mórmons de transhumanismo.

Para evitar transformar este texto em uma bíblia, eu vou fazer um segundo texto respondendo a maioria das perguntas. Mas só vou deixar um sonho que tenho: meu sonho não é viver eternamente neste casulo (corpo). Meu sonho também não é trocar de corpo com o passar do tempo. Meu sonho mesmo, é me livrar de todos os aspectos que me fazem ser um ser-humano e me tornar uma máquina pensante. Um ser com corpo robótico, mas com mente humana. Acha loucura? Eu também acho às vezes, mas nada é impossível...